
banal
bananal
anal
bana(l)
nada
Um Filhote de Elefante é fustigado por um grupo de Hienas apesar dos protestos da Mãe. Mas, num ímpeto, ela investe com fúria materna sobre o voraz bando que, como um bloco pulverizado, se dispersa em ruidoso alarido pela rua afora.
A Virgem vestida com trajes alvinegros aguarda a Morte: passarão a lua-de-mel na cidade-masmorra onde vão fuzilar a modorra cotidiana à queima-roupa munidas com metralhadoras furtadas de uma turma de Hienas armadas travestidas de Gnus.
A Barbárie se refestela num lauto banquete saboreando sanguíneas iguarias num seguro reduto situado na torre mais alta da megacidade.
mãos
que
puxam
rasgam
se
destroem
mãos suicidas
mãos
que
dilaceram
violentam
o corpo
mãos assassinas
mãos
que
torcem
distorcem
retorcem
se contorcem
mãos desvairadas
o movimento
teimoso
reduz
o gesto
a mero cacoete
não há esperança
de renovação
num gesto que esgota
e inibe
a possibilidade
de outros
não há outros gestos
só um
movimento obsessivo
que mata
a possibilidade
de outros
movimentos
não há novidade
só estagnação
a obsessão
solapa
a vontade
a dor que afeta
o homem
é um labirinto
de ações irracionais
ok carne
invade o músculo
a faca velha
evoca a vaca louca
vade ferro carne
adentro expõe o vermelho
em febre fúria
ouve a música
em flocos no vácuo
rubras folhas espiam
a vida se esvaindo
em vão
deitado
com tristeza
espio
o lazer
da carne
no cio
falta serotonina
triste mente
compensa o
déficit
na dependência
da dor
que
nunca termina
povoado de alvo pó
o vasto continente mental
extravasa vozes que
reverberam incontinência verbal
em vão:
resiste o vazio
a goela engole: compulsão
a garganta engasga: convulsão
o brilho da bebida: colorido
o brilho da bile: incolor
no engulho tem gorgulho
no orgulho tem pedregulho
no engulho tem orgulho
no orgulho tem gorgulho
no engulho tem pedregulho
no orgulho tem engulho
no pedregulho tem engulho
no gorgulho tem orgulho
no orgulho tem engulho
no pedregulho tem orgulho
no gorgulho tem engulho
do eu: ária
diarréia diária
ruído e dor
que corrói
com raiva
e saraiva
o eu
suor do sovaco
dose sexy de amor
que soçobra o odor
my dopping
a dose exata
ou exagerada
gerada na
dopamina
o tremelique
da carne
emula
o chilique
da alma
trêmula
um laço de
fita vermelha
aprisiona
um coração
tresloucado
rebenta a
cadência do
tambor
ecoa o derradeiro
batuque
na decadência
do baticum
o sono saiu
e não chegou
o sonho partiu
e não voltou
aspira aspirina
espira em espiral
espiando inquieto
o espírito
o coração speedy
expõe insucessos
de um rally
de excessos
o ácido rasga
em fúria retilínea
a goela de
uma cidade
em derrocada
uma cadeia
espiralada
de eventos infames
assedia
a mente inerme
enquanto inerte
jaz demente
o cenário arreganhado
disfarça um enredo
cujas cenas
não passam de
uma horrenda farsa
uma fissura
no corpo
adormece a alma
um porco em agonia
estremece
à mercê
do verme
o sangue jorra
farto tingindo
de vermelho
a lama
o vômito marrom acusa
a química indigesta
da náusea cósmica
imersos num oceano
de águas turvas
os olhos marejados
refletem o
torvelhinho que
atormenta
a mente
nas entrelinhas
de mentes
em desalinho
entrevê-se
a dansa
dos neurônios
És não És
Ator A
No és não és das palavras a culpa nas entrelinhas.
Ator C
No tecido compacto das palavras um és não és. De culpa.
AtorB
Um és não és. Embora o nada. Ora, o nada. Um és não és. De culpa no nada.
Ator D
Nas entrelinhas entrevê-se um és não és de culpa.
Ator C
Entrevê-se o quê? Ora, um és não és de mentira. Um quase branco sobre branco. Qua-se! A mácula engendrada no tecido compacto das palavras.
Ator A
Vê-se então: na palavra compacta penetra um és não és de mentira. Então: a culpa.
Ator C
Medo. Culpa.
Ator B
A cupidez da palavra em vão disfarçada. A vanglória ecoa no tecido asséptico. Contamina a trama esgarçando o que era compacto.
Ator D
Rompendo a retidão do tecido. Nas entrelinhas da trama a mentira. Apenas. Um és não és. Embora.
Ator B
Sim um és não és. Ainda assim, a mentira. Onde a assepsia? No vazio brancobranco dos museospitais?
Ator A
Brancobranco? Nos museospitais onde o medo jaz. Embora em tubos de ensaio. Mas lá o medo. Lá! (voz alta)
Ator D
É preciso anestesia. É preciso a prisão asséptica dos tubos de ensaio. Eliminar o és não és da mentira nas palavras.
Ator C
As palavras à espera. A mentira fundindo-se ao tecido compacto. Agora, não mais. Um és não és. Mas. À espera do perdão. Limitude.
Ator A
Não o brancobranco infinito. Não o nada brancobranco. Na infinita assepsia museospitalar a mentira macula. Então a finitude.
Ator D
Recorrer a recursos artificiosos. Tubos de ensaio. A vanglória das palavras anestesiadas e congeladas em tubos de ensaio. Ainda assim, adianta?
Ator C
Sim? Sim. Sim? Onde o branco sobre branco das palavras?
Ator A
Apesar das vãs tentativas. Apenas um és não és. A mácula como registro. Fóssil vivo. Embora um és não és. Limitude.
Ator B
Brancobranco. Negronegro. Tantofaz. A homogenia como regra jaz. Um és não és no branco. Um és não és no negro. Ora, cor não vem ao caso.
Ator C
Os recursos artificiosos dos tubos de ensaio apenas reiteram: a finitude é irreversível. O tecido das palavras se esgarça em movimento inexorável.
Ator B
Negrobranco ou branconegro: um és não és apenas. Um quase nada. Qua-se. A finitude. Até onde?
Ator C
Na ruptura da trama. No esgarçamento inexorável. Onde começa a culpa e o medo.
Ator B
Onde entrevê-se o obscuro. O obscuro vazio. Entretrevas. Onde o és não és adquire a gravidade da culpa e do medo.
Ator A
Na fusão do nada com o quase. Na fronteira traiçoeira onde aguardam a culpa, o medo e a mentira. No esgarçamento do tecido não mais a retidão da palavra.
Ator C
Medo. De contemplar o medo. Mesmo o medo preso em tubo de ensaio. Na extrema assepsia museospitalar. Mesmo assim.
Ator B
Cúpidas palavras à espera de perdão.
Ator D
Perdão? Cúpidas palavras à espreita. Suspeita. Traição.
Ator C
De museu... Medo. Antisséptico. Fóssil vivo. Na penumbra. Do branco hospitalar.
No és não és.
Ator A
A cupidez das palavras à espera. . .De perdão? Embora a traição. A conspiração. Na penumbra do branco sobre branco.
Ator D
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