0 comentários terça-feira, 11 de maio de 2010

a vingança de osíris


a violência do medo
a virulência do mal-estar
espreita
em ascendente grau
em cada degrau
de cada escada
a vingança de osíris

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com assombrosa
velocidade o turbilhão
invade apressado
cada vagão
depressa com
máximo volume
o veículo avança
em direção a
lugares insalubres

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réquiem para henrique


(hoje 25 de abril de 2001
morreu assassinado
na rua 25 de março
sem qualquer
motivo convincente
o estudante henrique f.
17 anos
ex-aluno do 2º C
cerca de 13 horas
voltando para casa
depois que
saiu da escola)

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desarvoradas as pessoas
à procura
de
um lugar
um guarda

sol
uma sombrinha
de
uma árvore
uma asa
de
uma ave
uma asa
de
um avião
um tronco
uma copa
de
uma árvore
um guarda
ssol
o voo
de
um avião
desarvoradas as aves
antes calmas
agora
batalhão em revoada
um avião
enquanto desarvoradas
as pessoas
às voltas
com uma dúvida:
a sombrinha
de
uma árvore
ou
um lugar ao
sssol

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rápida percepção
de ser
vital visão
de organismos
orgânulos que
se abrem
e
se fecham
intercomunicando-se em
incessantes jorros
de
fluidos seminais

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o amor e a vergonha




o amor se insinua
no lusco-fusco
de um olhar
a jato


o amor flutua
pesado
sob olhares
esgazeados


o amor esbarra
ruidoso
sobre pernas
trôpegas


pousou a águia negra
e vomitou o amor
em bolotas coloridas


paira o tempo
com orgulho hedonista
sobre corpos exangues


pessoas apreciam
boquiabertas
olhar fixo
espelhos cegos


pombos esquálidos
semidepenados
pousam
asas pétreas sobre
serpentes carbonizadas


pés embalsamados
percorrem
desertos brancos
cortados por
rios vermelhos
que se cruzam
infinitamente


sobre ruas
suspensas superlotadas
trafegam
veículos hipersônicos
em voo
soturno


bovinos observam
ruminando
um horrorshow
aerodinâmico


chimpanzés com
mãos manchadas
de sangue empilham
cadáveres esquartejados
erigindo edifícios
de horrores


com odor de
enxofre
formas inumanas
exangues
emergem
de ruas
recheadas
de crateras de

sangue coalhado


a águia branca
sobrevoa
cadáveres de ratos
calcinados pelos
ventos inflamáveis
da vergonha
universal


ecoam pelas ruas
vazias
gritos de ratos
em desespero
agonizante
atraindo a voracidade
dos crocodilos


ratos em agonia
se aglomeram
desesperados
na vã tentativa
de alcançar o topo
do edifício
do amor universal







em meio a fezes e lixo
baratas assistem
animais defecarem
com expectativas
alimentares dobradas
e querem crer
livres da sanha
assassina da cidade


























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Algumas considerações sobre a série “Palavras em Transe”


Iniciada em 2003 apenas com desenhos (a serem postados futuramente neste blog), em 2006 a série “Palavras em Transe" passou à pintura. As linhas curvas se repetem em chave hipnótica representadas de alguma forma nas imagens ou nos conceitos inerentes a elas, nos textos que as circundam, assim como no formato das telas. Os textos não têm necessariamente relação imediata com as figuras, mas de maneira indireta tangenciam questões que elas podem suscitar. Como nos desenhos, os textos descrevem, por exemplo, desertos terrestres, planetas desertos irreais, seres imaginários, catástrofes provocadas pela fúria dos elementos da natureza (ventos, terremotos, maremotos, tsunamis e vulcanismos) ou contam estórias que abordam a necessidade dos seres em se adaptar e sobreviver em ambientes hostis e inóspitos, o convívio social ameaçado pela cobiça e certa incapacidade que indivíduos têm para viver em sociedade e como resultado a tendência para a desagregação social e o isolamento.